quarta-feira, 9 de março de 2011

MELQUISEDEQUE REI DE SALÉM

MELQUISEDEQUE UMA FIGURA DO SACERDÓCIO ETERNO DE CRISTO

TEXTO PARA MEDITAÇÃO: Hebreus 7.1 A 28



São muitas as especulações sobre Melquisedeque, uma figura enigmática e que é uma figura do sacerdócio de Jesus Cristo.
Muito se tem usados os escritos apócrifos sem inspiração divina e que que servem mais para confundir os cristãos do que mesmo tirar as dúvidas e que torcem as sagradas Escrituras para desencaminhar os incautos e neófitos na fé.
Há estudiosos que tem procurado desacreditar que Jesus cumpriu e cumpre fielmente todos os requisitos impostos pela lei Aaraonica. São muitos os esforços para comprovar a descendência de Melquisedeque para com isso tentar provar que o sacerdócio de Cristo não é superior ao de Aarão.
As questões relacionadas a esse “Rei-Sacerdote” dão espaço principalmente às especulações tradicionais da história do povo judeu.

Ficamos com o que afirma o escritor aos hebreus no capitulo 7 versículos 1 a 3 e 11, 12:
1. Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou;
2. A quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz;
3. Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre.
11. Não adianta Cristo Jesus é superior em glória e poder ao sacerdócio ararônico. De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão?
12. Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei.

Alguns pontos a serem observados;

I- O NOME MELQUISEDEQUE
Na história o nome Melquisedeque é a transliteração, para o português, de um nome hebraico que significa “rei da justiça” o próprio texto bíblico diz que ele era rei de salém (Jerusalém) e sacerdote de El Elion, o que o tornava um rei-sacerdote, o que serviu mui apropriadamente para ilustrar o mesmo ofício, ocupado em forma muito mais significativa, pelo Senhor Jesus, o Cristo. Salém tem sido identificada com Jerusalém com base na referência bíblica de Salmo 76.2, e pela antiga menção a essa cidade nas cartas de Tell el-Amarna, do século XIV A.C. As inscrições assírias referem-se a ela muito antes dessa cidade ter qualquer coisa a ver com o povo de Israel, mediante os nomes Uru-salém e Uru-salimmu, Os Targuns regularmente identificam-na com Jeru-Salém, conforme também faz o Gênesis Apócrifo.
Alguns historiadores dizem que Melquisedeque poderia ser um sacerdote cananeu. Tanto El quanto Elion eram divindades cananeias bem conhecidas. A adoração cananéia a El Elion tem sido associada a Yahwer e sua adoração; e deveríamos recordar que esses nomes divinos não foram cunhados pelo hebreus, pois a verdade é que eles a empregaram para indicar sues conceitos específicos de Deus.
A maioria dos críticos pensa que os trechos de Gên 14.18-20 e Sal. 110.4 refletem sincretismo, mediante o que o reinado pré-davidico e a adoração ao El Elion cananeu foram vinculados à adoração a Yahwer. Naturalmente, muitos eruditos conservadores rejeitam isso. Mas, porque haveríamos de supor que a primitiva fé dos hebreus surgiu no vácuo? Coisa alguma é mais clara, na história das religiões, do que o fato de que elas dependiam de outras religiões mais antigas, ou paralelas, fazendo empréstimos das mesmas. Se acompanharmos a fé dos hebreus, veremos muitos desses empréstimos e adaptações. Até mesmo uma doutrina tão básica como a da imortalidade da alma não se originou entre os hebreus, podendo ser achada nas religiões orientais e na filosofia grega muitos antes que ela tivesse aparecido na teologia dos hebreus.
A complicada angelologia dos hebreus também era uma doutrina emprestada, que não aparece nos primeiros livros da Bíblia, pois ali, apesar de ser dito que os anjos existem, não há qualquer sistema hierárquico de tais seres.
Em Gênesis 14.19 El Elion aparece como o Criador, tornando-se claro que novas ideias, como também ideias adaptadas, foram atreladas a alguns nomes divinos. Mas isso não prova que esses povos antigos não conheciam e nem usavam esses nomes. A arqueologia tem provado, de maneira absoluta, que assim sucedia. A contribuição dos hebreus foi o monoteísmo, embora, provavelmente, até esse tivesse começado como um henoteísmo. As noções dos homens sobre Deus são passíveis de melhoria, e na fé dos hebreus vemos esse principio em operação. E esse processo nunca terminará, porquanto as nossas ideias sobre Deus são necessariamente provinciais e imperfeitas. Estando sempre sujeitas a melhor elaboração. Em caso contrário, a teologia não será outra coisa senão humanologia. Somente Deus conhece verdadeiramente a teologia, os homens continuam em sua inquirição.

II- REI E SACERDOTE; TIPOLOGIA
Melquisedeque é apresentado como um rei que tinha funções e direitos sacerdotais (ver Gên 14-18 e ss). O próprio Abrão lhe prestou homenagem. Certamente, pois, a sua glória ultrapassou à de Arão. Cristo assumiu esse sacerdócio real, mas revestido ainda de maior glória. Notemos que no trecho de Zac. 6.13 são combinados os ofícios de rei e de sacerdote, no tocante ao Messias. O autor sagrado volta de forma mais completa, em Heb. 7.1-10, com o propósito definido de mostrar sua superioridade sobre o sacerdócio ararônico, e isso faz parte de seu argumento que visava mostrar que, em Cristo, todos os tipos sacerdotais são cumpridos e ultrapassados, não havendo qualquer necessidade de um sumo sacerdócio terreno. Cristo incorpora, em si mesmo, todo o sacerdócio de que precisamos. Até o próprio Aarão, por intermédio de Abraão, pagou os dízimos a Melquisedeque, com o resultado que o “menor foi abençoado pelo maior”. Foi Melquisedeque quem abençoou Abraão, pelo que também aquele era maior do que este, para nada dizer sobre Aarão, que por esse tempo nem havia nascido ainda.


III- REFERÊNCIAS BÍBLICAS
As únicas referencias bíblicas a esse personagem se acham nos trechos de Gên. 14-18; sal. 110.4; Heb. 5.6, 10; 6.20; e 7. 10, 11, 15, 17, 21.

IV- SIGNIFICADO PROFETICO
A SIGNIFICAÇÃO PROFÉTICA DE Melquisedeque é claríssima, entretanto. O Salmo 110 pinta a divindade do Messias (ver Sal. 110.1, comparar com Mat. 22.41-46). Também fica destacada a sua realeza (ver Sal. 110.1 e ss; comparar com Atos 2.34-36). O seu sacerdócio é igualmente destacado ver o versículo 4). Nas referências da epistola aos Hebreus sua significação profética é ainda mais amplamente esclarecida. Ele ilustra a superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o de Aarão (Ver Heb. 5:6 e 7:7); Seu sacerdócio é eterno (Heb. 5:6) é real (Heb. 7.1); SUA ORIGEM É MISTERIOSA E DESCONHECIDA, e assim a filiação eterna de Cristo é ilustrada (Heb. 7.1).
Na qualidade de Filho é ele também sacerdote, e isso empresta à ele uma dignidade maior que a de qualquer sacerdote terreno (Heb. 7:3; 5:5). Ele é o grande abençoador, mediante quem todos os menores são abençoados (ver Heb. 7:7). E ele é superior a Levi, a Aarão, a Abraão e a todos os seus descendentes levitas (ver Heb. 7.6-10). Cristo é o sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, ou melhor, Cristo é Sumo sacerdote sobre a sua própria casa. Aleluia!!!.

V- USO HERMENEUTICO
Hermeneuticamente, Melquisedeque é importante porque ilustra diversas coisas, por exemplo:
1. Um significado mais profundo na história,
2. Como a história pode ser profética e simbólica,
3. A unidade do Antigo e do Novo Testamento.
4. A universalidade do oficio messiânico e sumo sacerdotal de Cristo,
5. A ab-rogação das ordens sacerdotais do Antigo Testamento, por estarem todas cumpridas em Cristo.

VI- IDENTIFICAÇÃO
A sua obscuridade tem fascinado a tradição, pelo que também muitas identificações conjecturadas têm sido imaginadas, a saber:
1. Alguns dizem que o espírito Santo teria aparecido na terra sob essa forma. Mas essa opinião é extremamente ridícula;
2. Outros fazem dele uma manifestação de Cristo no A. T.. Se isso fosse verdade, teríamos de esperar uma verdadeira “encarnação” antes dos tempos neotestamentários, posto que ele teve uma história continua, tendo sido rei de Jerusalém, contudo , alguns aceitam a ideia de uma “encarnação”.
3. Outros estudiosos supõem que Melquisedeque teria sido encarnação de alguma outra elevada personalidade celeste;
4. Outros dizem que ele seria Sem, filho de Noé, o que é opinião comum entre vários escritores judeus (ver TARGUM em JON. e JERUS. JARCHI, BAAL HATTURIM, LEVI BEM GERSON e ABENDANA, sobre Gên. 14.18; BEBIDBAR RABBAS, SEÇÃO 4, fol. 182,4; PIERKE ELIEZER, cap. 8; JUSHASIM, fol. 135,2 e outros)
5. Outros supõem que ele teria sido um monarca cananeu, da descendência de Cão.
6. Outros ainda consideram-no um ser como adão, diretamente criado por Deus, e que literalmente não teria ascendência humana;
7. Também já aqueles que o identificam com Jó ou com algum outro personagem do A. T.

Todas essas conjecturas não têm base em que se possa confiar, sendo bem provável que ele não possa ser identificado com qualquer outra personagem conhecida.
O fato de que ele não tinha pai nem mãe provavelmente significa que não há registro de sus ancestrais, e, que, acerca de quem não se pode falar de qualquer linhagem terrena.



VII- CONCLUSÃO

Os relatos de LETHAM e HALLEY não passam de conjecturas de tradições ou crendices sem fundamentos históricos ou arqueológicos.
Já o historiador Flávio Josefo apenas comenta o que está escrito no A. T., ele não afirma em lugar algum que Melquisedeque era da descendência de Noé e nem mesmo o compra a Sem o primogênito do Patriarca Noé.

Muitas tentativas têm sido feitas para identificar Melquisedeque. Algumas tentativas, equivocadamente, tentam situá-lo solidamente dentro da fé e da cultura dos hebreus, mas daí não tem advindo qualquer conclusão útil.
Sendo assim a falta de informações sobre o sacerdócio de Melquisedeque histórico não nos permite especular muita coisa. Porém podemos supor que alguma espécie de linhagem altamente respeitada de reis-sacerdotes tinha em Jerusalém o centro do seu poder, antes dessa cidade cair sob o domínio de Israel. É claro que esse oficial e o seu culto não faziam parte da fé e da cultura dos hebreus, a despeito do que, era altamente respeitada pelos grande lideres da nação de Israel.

Diante do exposto acima, podemos afirmar que ele é um tipo de Cristo, que seria revelado futuramente nas palavras do salmista Davi como sendo:
“... TU ÉS SACERDOTE PARA SEMPRE, SEGUNDO A ORDEM DE MELQUISEDEQUE...”



As Escrituras não relatam nada sobre antepassados nem descendentes de Melquisedeque (o ponto de Hebreus 7.3). Ele servia como sacerdote antes do nascimento de Isaque, então não era descendente da tribo de Levi (um dos netos de Isaque). ERA SACERDOTE APROVADO POR DEUS, INDEPENDENTE DE LINHAGEM.
Deus fez algumas coisas no Velho Testamento pensando na vinda de Jesus, e assim ajudando o povo a entender a missão de Cristo. Os comentários em Gênesis e Salmos sobre Melquisedeque mostraram a possibilidade de ter um sacerdote que não era sujeito à Lei dada aos israelitas no Monte Sinai. É exatamente isso que o autor de Hebreus nos mostra, usando Melquisedeque como tipo de Cristo.
Jesus não podia ser sacerdote no sistema dado no Monte Sinai (Hebreus 8.4). O fato de Deus ter declarado Jesus sacerdote eterno serve de prova de mudança de lei: “Pois, quando se muda o sacerdócio, necessaria-mente há também mudança de lei” (Hebreus 7.14). “Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas” (Hebreus 8.6).
Salmo 110, como o autor de Hebreus bem explica, APONTA PARA O PERFEITO REI E ETERNO SACERDOTE, JESUS CRISTO. Qualquer ensinamento que procura preservar algum sacerdócio humano segundo a ordem de Melquisedeque (como fazem, por exemplo, os mórmons), age por autoridade humana, e não divina (cf. Gálatas 1.10; 2 João 9), e diminui a importância de Jesus Cristo como o eterno e suficiente Sumo Sacerdote.

EM Cristo Jesus desejo-lhe a PAZ DO SENHOR JESUS CRISTO QUE VIVE E REINA PARA TODO O SEMPRE. AMÉM!!!



LEIA EM HEBREUS 9.1 a 28:

Ora, também a primeira tinha ordenanças de culto divino, e um santuário terrestre.
Porque um tabernáculo estava preparado, o primeiro, em que havia o candelabro, e a mesa, e os pães da proposição; ao que se chama o santuário.
Mas depois do segundo véu estava o tabernáculo que se chama o santo dos santos,
Que tinha o incensário de ouro, e a arca da aliança, coberta de ouro toda em redor; em que estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha florescido, e as tábuas da aliança;
E sobre a arca os querubins da glória, que faziam sombra no propiciatório; das quais coisas não falaremos agora particularmente.
Ora, estando estas coisas assim preparadas, a todo o tempo entravam os sacerdotes no primeiro tabernáculo, cumprindo os serviços;
MAS, NO SEGUNDO, SÓ O SUMO SACERDOTE, UMA VEZ NO ANO, NÃO SEM SANGUE, QUE OFERECIA POR SI MESMO E PELAS CULPAS DO POVO;
Dando nisto a entender o Espírito Santo que ainda o caminho do santuário não estava descoberto enquanto se conservava em pé o primeiro tabernáculo,
Que é uma ALEGORIA para o TEMPO PRESENTE, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço;
Consistindo somente em comidas, e bebidas, e várias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo da correção.
Mas, VINDO CRISTO, O SUMO SACERDOTE DOS BENS FUTUROS, POR UM MAIOR E MAIS PERFEITO TABERNÁCULO, NÃO FEITO POR MÃOS, ISTO É, NÃO DESTA CRIAÇÃO,
Nem por sangue de bodes e bezerros, MAS POR SEU PRÓPRIO SANGUE, ENTROU UMA VEZ NO SANTUÁRIO, HAVENDO EFETUADO UMA ETERNA REDENÇÃO.
Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne,
QUANTO MAIS O SANGUE DE CRISTO, QUE PELO ESPÍRITO ETERNO SE OFERECEU A SI MESMO IMACULADO A DEUS, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?
E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna.
Porque onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador.
Porque um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive?
Por isso também o primeiro não foi consagrado sem sangue;
PORQUE, HAVENDO MOISÉS ANUNCIADO A TODO O POVO TODOS OS MANDAMENTOS SEGUNDO A LEI, tomou o sangue dos bezerros e dos bodes, com água, lã purpúrea e hissope, e aspergiu tanto o mesmo livro como todo o povo,
DIZENDO: ESTE É O SANGUE DO TESTAMENTO QUE DEUS VOS TEM MANDADO.
E semelhantemente aspergiu com sangue o tabernáculo e todos os vasos do ministério.
E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão.
DE SORTE QUE ERA BEM NECESSÁRIO QUE AS FIGURAS DAS COISAS QUE ESTÃO NO CÉU ASSIM SE PURIFICASSEM; mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes.
Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus;
Nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no santuário com sangue alheio;
De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo.
E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo,
Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.


O Encontro de Abraão com Melquisedeque

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